É possível imprimir qualquer medicamento? - Quais medicamentos podem (ou não) ser impressos em 3D?
- Mariana R. Schmaedek

- 16 de abr.
- 2 min de leitura
A impressão 3D de medicamentos é uma das tecnologias mais promissoras da farmácia moderna, e a pergunta que naturalmente surge é: será que qualquer fármaco pode ser impresso? A resposta curta é: depende. E a resposta longa envolve química, tecnologia, regulação e uma quantidade considerável de ciência ainda em construção.
O Spritam® (levetiracetam), aprovado pela FDA em 2015, é o primeiro e, por enquanto, o único medicamento impresso em 3D comercialmente disponível no mercado farmacêutico global. Desenvolvido pela Aprecia Pharmaceuticals, o comprimido se dissolve rapidamente e é indicado para o controle de crises epilépticas, podendo conter até mil miligramas de princípio ativo por unidade.
A Triastek (China) utiliza tecnologia de extrusão por fusão (MED) para desenvolver medicamentos impressos em 3D. Seu produto T19, para artrite reumatoide, funciona de forma cronoterapêutica, liberando o fármaco durante a noite para que o pico de ação ocorra de manhã, quando os sintomas são mais intensos. Já o T21 recebeu autorização da FDA para estudos clínicos em colite ulcerativa, com liberação direcionada ao cólon.
Os medicamentos testados hoje em dia, sejam lipofílicos, hidrofílicos, sintéticos ou naturais, passaram por aprovação em suas formas convencionais, mas o desafio da impressão 3D está em reformulá-los de maneira que o princípio ativo mantenha sua eficácia dentro de uma matriz completamente diferente da convencional. Na literatura, já há estudos bem estabelecidos com diltiazem, pramipexol, ondansetrona, isoniazida, rifampicina, metformina e ciprofloxacino em formas farmacêuticas obtidas por impressão 3D.
Para cada tipo de medicamento, deve haver um grande estudo por trás e isso não é apenas burocracia. Os parâmetros farmacotécnicos são completamente diferentes de fármaco para fármaco.
Os excipientes precisam ser compatíveis com o método de impressão utilizado e com a molécula em si. A concentração do ativo, o tamanho do imprimido, o tipo e a velocidade de liberação, a dose terapêutica e a estabilidade térmica do fármaco durante o processo de impressão; tudo isso precisa ser avaliado caso a caso. A impressão 3D permite controle preciso do perfil de liberação ao modificar fatores como a forma geométrica, o tamanho e a combinação de princípios ativos com excipientes, garantindo níveis terapêuticos consistentes ao longo do tempo.
No fim das contas, o que determina se um medicamento pode ou não ser impresso não é apenas a molécula em si, mas a base em que ela será incorporada. A escolha do polímero carreador, do agente de liberação e da técnica de impressão define se o fármaco vai atingir seu potencial terapêutico esperado. Alguns fármacos encontram nessa tecnologia uma forma de superar limitações das formulações convencionais; outros ainda aguardam que a ciência dos excipientes e as técnicas de impressão evoluam o suficiente para acomodá-los.
A pergunta não é se qualquer medicamento pode ser impresso. A pergunta certa é: com qual base, com qual técnica e com qual estudo por trás.



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