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Adesão terapêutica: desafios e soluções inovadoras

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de metade dos pacientes com doenças crônicas em países desenvolvidos não segue corretamente o tratamento prescrito, número que tende a ser ainda maior em países em desenvolvimento, como o Brasil. Esquecimento, efeitos colaterais, dificuldade para engolir comprimidos, esquemas complicados com vários remédios ao mesmo tempo são alguns dos motivos que levam à falta de adesão, mas o resultado é sempre o mesmo: tratamentos que não funcionam não porque a ciência falhou, mas porque o medicamento não coube na vida real do paciente.


E podemos encontrar uma ajuda para solucionar esses problemas na tecnologia de impressão 3D de medicamentos. Em vez de pedir que o paciente se adapte ao medicamento, ela inverte a lógica: adapta o medicamento ao paciente.


Um dos exemplos são as chamadas polypills, comprimidos multicamada que reúnem diferentes fármacos em uma única unidade, cada camada liberando sua substância em um momento e local específico. Para idosos que tomam vários medicamentos por dia, um dos grupos mais afetados pela baixa adesão, isso significa trocar uma cartela cheia de comprimidos por um único comprimido, sem abrir mão de nenhuma das doses.


Formato e sabor também entram na equação. É possível imprimir medicamentos em formatos lúdicos, como ursinhos e corações, voltados ao público infantil, além de comprimidos desenhados especificamente para facilitar a deglutição de quem tem disfagia, como pacientes idosos ou oncológicos. Mascarar sabor e ajustar a forma física do comprimido são também formas de remover barreiras sensoriais que hoje levam muita gente a evitar a medicação.


Há ainda o ajuste fino da dose. Como cada impressão pode ser calibrada individualmente, é possível titular a quantidade exata de fármaco para o peso, idade e necessidade de cada paciente. Algo particularmente relevante na pediatria, onde fracionar comprimidos padrão costuma ser impreciso e arriscado; em faixas etárias mais avançadas, em que a farmacocinética muda com frequência, e também na veterinária, onde não são encontradas muitas dosagens disponíveis.


Nenhuma dessas soluções substitui o acompanhamento clínico ou a comunicação entre profissional de saúde e paciente, que seguem sendo a base de qualquer estratégia de adesão. Mas quando o medicamento é produzido pensando na rotina, no paladar e nas limitações físicas de quem vai tomá-lo, o caminho até a adesão fica mais curto.

 
 
 

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