Menos desperdício, mais eficiência: a nova era da farmácia
- Mariana R. Schmaedek

- 11 de jun.
- 2 min de leitura
A indústria farmacêutica tradicional muitas vezes enfrenta um desafio: ao produzir em larga escala para garantir disponibilidade, acaba gerando perdas ao longo do processo. Lotes que atingem o prazo de validade precisam ser descartados, doses padronizadas nem sempre correspondem às necessidades individuais de cada paciente, e a cadeia logística demanda energia e emite carbono para transportar medicamentos de fábricas centralizadas até os pontos de consumo. A impressão 3D na área farmacêutica apresenta respostas para esses problemas e promete transformar não apenas a forma como os medicamentos são feitos, mas também toda a lógica de produção e de acesso a eles.
Até chegar às nossas mãos, um comprimido percorre um longo caminho. É fabricado em grandes lotes de doses já padronizadas, embalado, transportado por longas distâncias, distribuído para centros de armazenamento, repassado para farmácias e, finalmente, vendido ou descartado, caso vença no estoque.
Segundo a OMS, bilhões de dólares em medicamentos são perdidos anualmente por vencimento ou deterioração ao longo da cadeia de distribuição. E mesmo quando chegam ao paciente, as doses padronizadas frequentemente não são ideais: crianças recebem comprimidos de adulto cortados ao meio, idosos com múltiplas condições precisam tomar diversos medicamentos por dia, e pacientes com necessidades especiais simplesmente não encontram o que precisam no mercado.
A pergunta que a impressão 3D coloca na mesa é importante: e se pudéssemos produzir apenas o que é necessário, quando é necessário, para quem é necessário?
Produção sob demanda: Em vez de fabricar lotes de milhares de unidades na esperança de que sejam consumidas antes do vencimento, a impressão 3D permite produzir exatamente a quantidade necessária. Hospitais e farmácias de manipulação podem imprimir apenas o que será usado naquele dia ou naquela semana, eliminando o desperdício por validade.
Formulações adaptadas: A manipulação também abre a possibilidade de obtenção de formulações com maior estabilidade. Isso significa que os imprimidos podem ser desenvolvidos com prazos de validade mais longos, quando comparados a formulações líquidas adaptadas, por exemplo. O resultado é menos descarte, menos desperdício e uma cadeia de distribuição mais eficiente.
Doses personalizadas: Um médico pode prescrever 37,5 mg de um medicamento que só existe comercialmente em doses de 25 mg ou 50 mg. Com a impressão 3D, essa dose exata pode ser produzida sem necessidade de cortar comprimidos ou adaptar formulações, um ganho enorme especialmente para pacientes pediátricos, geriátricos e oncológicos.
A polipílula: Possibilidade de combinar múltiplos princípios ativos em um único comprimido impresso em 3D. Um paciente que toma cinco medicamentos diferentes poderia substituir tudo por uma única pílula diária, com impacto direto na adesão ao tratamento e na qualidade de vida.
O impacto ambiental que não podemos ignorar: A eficiência da impressão 3D vai além da economia de insumos. Ao descentralizar a produção, permitindo que medicamentos sejam fabricados próximos ao ponto de consumo, a tecnologia reduz drasticamente a necessidade de transporte de longa distância. Menos caminhões, menos aviões cargueiros, menos emissões de carbono.
A impressão 3D de medicamentos vem com uma abordagem diferente da indústria tradicional: automatizar e otimizar recursos para uma produção sob demanda no local de cuidado, focada em uma produção personalizada com maior precisão. Assim, sendo capaz de produzir o medicamento certo, na dose certa, para a pessoa certa, no momento exato em que ela precisa.



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